A Cosmologia Egípcia



No tempo dos faraós, o Nilo era como um grande oásis no meio do deserto. Um oásis misterioso, com um comportamento singular que dependia do céu. Após o nascimento helíaco da estrela Sírius, no período mais quente do ano, o Nilo iniciava a sua cheia e inundava todo o vale. Quando as águas voltavam ao seu estado normal, na estação de Peret, o Nilo deixava atrás de si um lodo negro, muito fértil, pleno de vida vegetal e animal. Pequenos rebentos verdes e uma infinidade de insetos e larvas brancas surgiam naquela terra negra, que dava o nome ao país de Kemet. Um rio misterioso que obedecia ao céu, numa região escassa em chuva, onde o sol brilhava sem descanso.

O rio e o sol são os dois elementos fundamentais da cosmologia faraónica. Os egípcios viam no Nilo o reflexo do rio celeste: a Via Láctea. Essa luminosa mancha branca que atravessava a abóbada celeste e da qual pareciam nascer todas as estrelas, era Duat, o submundo. Durante o dia, o sol percorria o corpo de Nut, o céu, sua mãe, que era representada como uma mulher arqueada em cujo ventre tinha lugar a transfiguração do astro rei.

Ao longo das horas da noite, o Sol sulcava numa barca o rio celeste, o Duat, onde experimentava a sua metamorfose, e a cada manhã renascia como Heper, o transfigurado.

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